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Se quem escreve fosse um erro. Como são todas a impressões fotográficas que são feitas. Como é a cara, o corpo.

O que aconteceu para ter que existir uma doença mental que acaba com as tentativas de aproximação. Todas as manifestações de amor são dotes de ansiedade.

Nada é suficiente. O que aconteceu. Julgo que a resposta repete-se sempre de forma clara quando se fuma, e se mete outra outra outra vez os pés num consultório a resolver os problemas actuais mas não da raiz.

Que triste, todos que escrevem e porque escrevem. São todas as cartas para a fogueira. Quem escreve esquece-se como se desenhava, esquece-se de querer desenhar, esquece-se de fazer música, de ver os documentários,  de ouvir os álbuns.

Onde a tristeza era algo bonito de se fingir poder ter para sempre como uma espécie de salvação, porque sem isso nunca iria existir a criação. E o que é a permanente felicidade sem querer andar de bicicleta, subir às montanhas, dormir à chuva, na boa virtude da solidão, a que se conhece quando a literatura era uma parte importante.

Oh a literatura, os livros que se liam em uma semana. Eram todos os filmes que se vêm agora para conseguir um pouco de conhecimento.

Eu oiço o piano e eu não consigo tocar no piano. Eu vejo o sofá velho no meio do buraco, no círculo redondo que as árvores conseguiram fazer para mim, ou que eu criei para elas em forma de agradecimento de me terem sempre dado uma visão de um lar.

Eu vejo uma fotografia da sala. Onde mora a família.

Porque é que quem escreve se tornou tão distante. Quais foram as razões. O abandono, a ilusão do abandono, o pai, nunca o pai, sempre o pai, ausência de quê, se só se sentiu mais tarde por assuntos ainda mais insignificantes.

A morte. A dele ou dela. Da criança ou da mulher. Mas se as lágrimas não escorreram, ou tão pouco se sentiu. E se for os períodos de ausência dos sentidos. E se foi toda a vergonha. E se foram todos os medos que nunca existiram. Porque nada disto existiu, porque se tem medo, e nada é suficiente. Nem o diagnostico mental, desejado serviu para deixar algo esclarecido, talvez faça parte, mas a família não faz parte, nem a amizade ou amor faz parte.

Só a criação o pode fazer, o conhecimento diário, isolado, de instituições educacionais, família, colegas, amantes, a rotina, o gastar, o dinheiro, as necessidades.

Se a solução for a que está perto a que abraça a criação, abandona o social, protege os campos, os montes, as serras, os gatos selvagens especiais, os futuros amantes, a auto sustentabilidade.
A tenda não existiu . existiram os campos que não foram prometidos, a casa no meio da serra, os animais livres e selvagens, a cama individual, os lençóis independentes de saudade, os cabelos da cor da terra gastos que ganham vida em um novo e estranho habitat. As conversas vazias, complementares à bebida ao fumo daquilo que merece existir apesar  de desnecessário ao livro/romance/ antigo a ser lido ao sol, bastante familiar e não lido por mim. O tipo de objecto ao sol que existiu para mim quando as viagens de comboio eram usuais.

Um comboio perdeu-se. Escolheu-se perder para ficar mais um pouco e chegar a um limite em que escrever deixou de fazer parte, nem as palavras e tão pouco respirações. Existe um peso suficiente, presente, que precisa de deixar de existir, dar lugar a uma vida pacata, auto suficiente. Mais um elemento para os campos. Mais um abandono de afecto, mais uma segurança, mais um ficar, mais músicas para se ouvir a cantar, a música do silêncio.

Um deixar.

Ficar.
Poeta fingidor. No bar, de copo na mão, cigarro na boca. Lugar habitual, para quem observa.

Repetem-se danças infinitas em luzes de pequenas cores, partículas que não se apagam facilmente, onde beijos escondidos aparecem por impulsos. Os cognomes são dados pela observação das feições, para os olhares que se fingem não serem trocados...  

Como se finge nunca se ter sido tocado antes, falado antes. Sussurros embriagados, respirações aceleradas, insignificantes... noites sim, noites não.

Quando se tenta constantemente observar movimentos cuidados, leves, de quem pronunciamos o nome para outras bocas. De quem tocamos um pouco sem se dar conta, para se dar conta, sem se pronunciar por palavras.. ou esconder as que se poderia pronunciar, e quando todos os sorrisos existem para não serem parados.

.

mas são parados.

pelas portas que se fecham

pela hora da saída

pelas palavras interrompidas.

.
Ensina-me a não pensar, a não sentir. A parar no tempo, para não pensar. Ensina-me a criar a distância que existia naturalmente. Porque a distância, a ausência, é a melhor coisa que pode acontecer. Quero senti-la de novo. Acaba comigo. Deixa-me para trás. Desiste. Finge. Mente. Perde. Arrepende. Goza. Propõe o fim. No começo da canção.
Um pai. Visita o seu quarto, que sempre foi o seu quarto. E nunca foi um quarto onde tivesse chegado a existir caixas infinitas, até ao tecto não infinito, que possuía todas as memórias de uma vida não organizada. Que tinha sido a sua.  

Um pai, sentado numa cama,  numa cama onde dorme a ex-mulher, mãe de dois filhos, onde mais dois primeiros não chegaram a existir.

Um pai, sentado na sua cama, ouve o vento que sempre existiu naquela terra que mais tarde decidiu abandonar. Abandonar depois de ter decidido ficar. Pela primeira vez.

Uma decisão feita de mão dada com uma mulher de olhos rasgados por diversas ascendências, uma mulher que nunca conseguiu ser sua.

Numa outra mão, carrega todas as caixas infinitas que vão ocupar o futuro quarto de um primeiro filho que conseguiu sobreviver aos abortos espontâneos da vida, sendo então o primeiro nascimento que se pode dar ao luxo de ser celebrado.    

.

As caixas são o espaço de um futuro quarto, as paredes do quarto existem na sala, são diversas estantes de livros, e a cama onde a criança mora todas as noites sem dormir, existe como um berço no quarto do irmão mais novo, que sente ser muito mais novo do que na realidade o é.

O primeiro filho não dorme pelo medo que faz existir na sua mente, porque aplica na sua visão coisas que não existem, mas que faz existir como imagens que mal ele sabe que nunca vai conseguir apagar, porque é forte de mais, porque nunca lhe ensinaram a ser selectivo, porque nunca soube que o poderia ser, como hoje pensa que os outros o são.

Pensa.

Pensa muito.

Tem o mal de guardar demasiadas imagens, e de fazer diariamente, constantemente, uma buscar infinitas das existentes e de novas para serem adicionadas.

Porquê.

Porque é necessário, para se organizar, para se manter na acção, a única coisa que deve ser amada.

.

Mas tudo isto é irrelevante.

Irrelevante.

Recentemente a sua palavra favorita, de ser ouvida, e pronunciada, por línguas que ainda desconhece.

Detestada pela sua mãe. A palavra.

.

A sua mãe.

Que lhe ensina por vezes como fazer decisões para a vida. As básicas. De carisma emocional. Difícil de suportar. Porque tudo o que é complexo, é demasiado fácil de ligar, tão básico, sem qualquer tipo de questionamento.

A sua mãe.

Repete vezes sem conta. Tão inteligente para umas coisas, tão burro para outras. Tão inteligente para as coisas complexas, difíceis. Tão burro para as coisas básicas, quotidianas, humanas. Que bruto. Que frio.

São bonitos adjectivos, a frieza e a brutalidade que se encostam por vezes na personalidade. Mas que não fazem parte de toda ela.

.

Primeiro filho, o que acontece ao amor.

Mãe. O amor existe  na acção, na repetição da mesma, e na localização dela. No quarto que me deste, onde existiam as caixas até ao tecto, sem o tecto a querer suportar. O amor existe no conteúdo dos livros, que são os tijolos das paredes, que existiram e que ainda existem.

Mas primeiro filho, o amor acontece...

Mãe. O amor acontece nas imagens em movimento, nas bandas – sonoras, naquilo que se imagina quando se ouve música num quarto fechado, quando se anda à volta nele em círculos para se poder sonhar melhor, com persianas fechadas, para não ter que me aperceber que existe um outro mundo lá fora, para além da acção que tento retomar todos os dias, e nunca acabar. Acontece nos jogos onde ainda não perdi as imagens, as cores, e algumas falas. Acontece na solidão, que eu descobri que existe a felicidade, e que te ensinaram que deve ser obrigatoriamente partilhada com o mundo.

Mas primeiro filho...

Mas Mãe.

Uma porta com um buraco de 10 centímetros, feito no dia 14 de Junho de 2010 às 17 horas e 12 minutos e 4 segundos, na discussão 2367, pelo irmão mais novo. Bate no quarto, com uma força significativa. Escondido por um poster de um tigre, uma imagem a preto e branco irrelevante para a vida. Uma impressão de má qualidade.

A mãe sabe que. Quando o quarto deixa de ser desejado. A amizade a valorização, e por vezes um certo afeto pelas pessoas, consegue existir.  Que o egocentrismo consegue ser muito bem abandonado. Que o sentido de humor é bastante acentuado. Que o primeiro filho enquanto caminha na rua ri-se das coisas que imagina. Que acontece durante a criação de novas imagens, durante a criação de universos introspectivos, futuristas, com quebra - cabeças.

E novos conceitos são criados, valorizados constantemente.

.

Um pai, que ainda permanece no seu quarto. Continua o seu monólogo. Continua a existir da mesma forma, introspectiva.

Pega numa moldura que contém uma imagem, uma só imagem.

Um pai, pensa. Que a saudade aperta, qua a criança deixou de existir, que não sabe o que aconteceu quando os abraços e constantes beijos na cara. Que poderiam ser facilmente observados por um todo. Deram lugar, a poucas palavras, que agora existem de forma curta, clara, objectiva, apenas a necessária. Onde qualquer toque que é dado, é automaticamente condenado, desconcertante de suportar, rejeitado até á sua originalidade.

Um pai, pensa. Brevemente este espaço será demasiado pequeno. Quando se tem 11 anos, quando alguém dessa idade se faz querer ser um pilar para a vida, quando se deixa de ser criança e começa-se a tomar conta das decisões da vida de um adulto, e que agora se consegue olhar para a vida da mesma forma, da mesma fácil forma de admirar, cada partícula como uma criança que ainda consegue admirar o mundo.

Um pai, consegue sorrir à distância de um primeiro filho.

O jogo da Mega Drive acaba.

Não consegui passá-lo. Fica para o dia seguinte.
  • Listening to: vento
  • Reading: .
  • Watching: .
  • Playing: .
  • Eating: .
  • Drinking: .

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:icondevils-n-dusts:
Devils-n-Dusts Featured By Owner Jan 10, 2016  Hobbyist General Artist
ouch, thank you for all the favourites
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:iconfavoritesadstory:
favoritesadstory Featured By Owner Jan 10, 2016
welcome. é interessante passar por este espaço, e saber que vou sempre ver o que espero ver. 
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:icondevils-n-dusts:
Devils-n-Dusts Featured By Owner Jan 10, 2016  Hobbyist General Artist
agradeço isso, all support matters
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:iconthejediclone:
TheJediClone Featured By Owner Apr 7, 2015  Student General Artist
Dopa-dupe :3
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:iconfavoritesadstory:
favoritesadstory Featured By Owner Apr 7, 2015
;3 um voltar às origens. 
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